Economia
Dólar fecha a R$ 5,50 e tem maior alta diária em anos após eleição
Moeda fechou a R$ 5,5007 na Ptax do Banco Central em 26 de outubro, alta de 9,19% no pregão
O dólar encerrou o pregão de segunda-feira, 26 de outubro, cotado a R$ 5,5007 na taxa Ptax do Banco Central, alta de 9,19% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior, de R$ 5,0377. Foi a maior variação diária da moeda americana em anos, em reação do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais, disputado no domingo, 25 de outubro.
A disparada da moeda tem efeito direto sobre Manaus, sede do maior parque industrial do país dependente de insumos importados. Fábricas de eletrônicos, motocicletas e eletrodomésticos instaladas no distrito industrial da Zona Franca compram em dólar boa parte dos componentes e peças usados na linha de montagem, de modo que a alta repentina da moeda eleva de imediato o custo de produção em reais, antes mesmo de qualquer repasse ao preço final dos produtos.
Operadores do mercado associaram o salto cambial a um movimento de aversão ao risco, em meio ao temor de deterioração fiscal com a continuidade do governo Lula, eleito com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do candidato Flávio Bolsonaro. O movimento surpreendeu porque o dólar havia encerrado a semana anterior em queda, na expectativa pelo resultado das urnas.
Para o consumidor em Manaus, a valorização da moeda americana tende a pressionar também o preço de produtos importados e de viagens internacionais, itens sensíveis ao orçamento das famílias. Analistas do mercado financeiro agora acompanham se a alta foi um movimento pontual ou se o novo patamar cambial vai se manter nos próximos pregões.

