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Pix incomoda Trump porque está fora da economia do dólar, diz internacionalista

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Pix, o sistema autônomo de pagamento usado no Brasil

Nesta quinta-feira (2), o governo de Donald Trump atacou o Pix, sistema autônomo de pagamento usado no Brasil. As críticas estão em um relatório do United States Trade Representative (USTR), órgão de comércio exterior da Casa Branca, que também aponta propostas de regulação das redes sociais e a chamada “taxa das blusinhas” entre os entraves aos interesses dos Estados Unidos no comércio internacional.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) Gilberto Maringoni, o Pix, junto a outros sistemas pelo mundo, como o chinês e o russo, representa uma ameaça à hegemonia do dólar.

“Desde o final da Segunda Guerra Mundial, eles impuseram o dólar como a moeda internacional. Aí é muito confortável para mim, eu emito a moeda, eu estabeleço a taxa de juros dessa moeda e vocês usam a minha moeda. O que vocês têm no bolso é a minha moeda, o que você compra, qualquer tipo de compra, de pagamento que você faz é com a minha moeda”, avalia o professor em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

Maringoni destaca que existe um movimento mundial sério de saída do dólar. “Por isso a sanha em cima do Pix”, continua.

O professor cita outros pontos simbólicos com relação à atitude do governo estadunidense: a data em que o relatório veio a público, 2 de abril, marca exatamente um ano do início da decretação do tarifaço para várias nações, entre elas o Brasil; o movimento brasileiro na direção da regulação das big techs, que desagrada os Estados Unidos; e o discurso recente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.

“Um discurso infame, entreguista do Flávio Bolsonaro, que a gente devia chamar de Flávio Silvério dos Reis, que é um traidor da pátria, um sujeito desqualificado, um patife, dizendo que o Lula é anti-americano, dizendo que o Lula quer prejudicar os interesses americanos, que o Brasil quer saída da economia do dólar. Pimba! Juntou a fome com a vontade de comer”, pontua.

Maringoni considera que Lula acertou na resposta. “Muito inteligentemente, (Lula) pega no ar essa história e fala: ‘Não, na nossa soberania ninguém toca’.”

Guerra no Irã

Nesta quinta-feira (2), o Irã declarou que o ataque contra os Estados Unidos pode ser devastador. O pronunciamento foi feito um dia após o presidente estadunidense Donald Trump afirmar que vai lançar tantas bombas contra o país persa que fará eles “voltarem à idade da pedra”. A frase faz alusão à Guerra do Vietnã, como destacou Maringoni.

“Essa fala expressa um descontrole, não é só uma falta de educação, é sinal que os Estados Unidos estão com problemas na guerra. Quando você já exagera demais nas ameaças, na bravata, tem algum problema”, avalia.

Por outro lado, destaca Maringoni, o Irã se reafirma em sua resistência e fecha o cerco com Estados Unidos e Israel. “O Irã é uma civilização de mais de 5 mil anos. Aliás, um representante do governo iraniano soltou no Twitter uma frase que é certeira também: ‘Vocês não estão combatendo um país, vocês estão combatendo uma civilização de 5 mil anos’. E a verdade é que o Irã está jogando uma guerra de inteligência muito mais do que uma guerra de brutalidade”, pontua.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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